quarta-feira, 8 de outubro de 2008

valeu a pena

Comecei. Já era meio tarde, peguei pra ler porque depois de um dia lendo só “obrigação”, um texto mais leve faria bem. Li aleatoriamente, até dar sono. Parei, olhei a página: 51. Pensei, coincidência, lógico. Não é porque o livro conta casos de butecos que eu parei na página 51 e por isso deveria, aquela hora, coisa de meia-noite e meia, descer e tomar uma antes de deitar. Até porque precisava acordar cedo hoje, pra continuar os trabalhos – chato – fora do bar. Mas aí virei pro canto, o sono não veio, o livro era legal, acendi a luminária de novo e lá vou eu, até as três da manhã lendo.

É por isso que recomendo, os 40 reais gastos no livro foram bem gastos – uma ida ao pé-sujo (?) dO Globo, sem nem chegar perto de ficar de porre, ficaria bem mais caro que o livro, podem ter certeza. Então valeu e recomendo, que o meu vou ficar até com receio de emprestar e não me devolverem.

Ah, é o prato da última semana, “Meu lar é o botequim”, do Eduardo Goldenberg, que inclusive está fazendo em seu blog essa semana uma viagem pela Rua do Matoso – é aquela mesmo, que vai dar lá na Praça da Bandeira...

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

pé-sujo, sei...

O Globo lançou essa semana uma revista com os “melhores” da gastronomia carioca. Olhei de relance, que tem faltado tempo ultimamente. E também porque pelo pouco que vi/li, não valia muito a pena desperdiçar tempo com a revista.

Mas de primeira, fui procurar se tinha bar entre os indicados e vencedores. E pra minha grata surpresa tinha lá uma categoria “pé-sujo”. A grata surpresa deu lugar a uma decepção – não uma grande decepção porque não esperava nada do jornalão carioca. Mas o vencedor do da categoria pé-sujo era nada mais nada menos que o Bracarense, bar – longe de ser buteco – do Leblon, bairro que outro dia escutei um morador dizer que deveriam criar o principado do Leblon, pra se desligar desse Rio de Janeiro de favelas e pobres.

Pra piorar, o pé-sujo vencedor tem uma página de apresentação, e lá tem, num Box bem destacado, o que você deve saber para beber no Bracarense. Primeiro que não aceitam cheque, nem da praça; segundo eu não me lembro; e terceiro que o bar tem câmeras por todos os lados. Ah, um pé-sujo que se preza num pode deixar de receber o cheque pré-datado e muito menos ter câmeras pra ver o que os clientes andam fazendo. Na verdade, um pé-sujo num precisa se preocupar se vão roubar uma tulipa ou algo do tipo. Até porque buteco mesmo serve mesmo em copo americano.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Prato da semana

Esse livro é de um amigo blogueiro – meu, ele nem mesmo me conhece (ainda) – e só pelo título já tinha simpatizado. Na verdade a simpatia veio antes de conhecer o livro, mas ao conhecer seu blog (bem melhor que esse daqui, tenho que reconhecer).

Mas aí a simpatia aumentou mais, porque o livro, além do título “Meu lar é o botequim: histórias, palpites e feitiço sem fim”, tem capa do Lan, prefácio do Aldir Blanc e apresentação do Fausto Wolff. Só por esses caras já valeria a pena a compra. Não é muito barato, tá saindo por 40 mangos no Submarino. Só pra terem uma noção do que dizem sobre o livro, um trecho da apresentação do Fausto:

“Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta, Antônio Maria, Nelson Rodrigues e Rubem Braga gostariam deste livro.

Aldir Blanc gosta.

Diante disso, adianta eu lhes dizer que é excelente, no sentido de ultrapassar as melhores expectativas?”

volta ao lar

Tem um tempo já que não aparecia por aqui. Alguns me perguntam se é porque não estou bebendo. Antes fosse. Na verdade, quanto mais eu bebo, menos tempo tenho pra postar. Bons tempos eram os do Panamá, em que eu tomava um gole e clicava no enviar postagem. Bons tempos.

Outro dia, lá na Tamoios, no Flamengo, numa ida ao banheiro me deparo com um camarada com seu computador, mostrando as fotinhas do Orkut que ele tirou no bar. Coisa de boiola - nada contra os boiolas, antes que me chamem de preconceituoso. Mas bateu uma baita saudade do Panamá. Mais de mês que não apareço por lá. Aposto – mas perco – que seu Manoel está morrendo de saudades do cajibrina aqui. Macarrão então, outro dia me ligou – a cobrar, e por isso não deu pra atender. Mesmo com crédito ia ser complicado, porque podia não ser saudade, mas cobrança. Coisa de 200 reais a dívida. Nem é muito pro que já bebi lá. Mas cada pouquinho que junto de dia, à noite vai embora no primeiro bar.

****
Tava falando antes aqui no blog, que tava parando de beber – na verdade tentando diminuir. Comecei pensando em não beber durante um tempo, coisa de um mês. Percebi no segundo dia que era impossível. Mas fui esforçado, precisa dar uma emagrecida, porque a única coisa precedida por artigo feminino que me olhava era a cerveja. Nem a cachaça paraibana que ganhei de uma amiga, que fico conversando com ela em momentos de solidão em casa, tem um nome feminino. Dureza.

Mas aí tentava. Antes mesmo da tática do
“estou dirigindo” (que deu muito certo e tive que parar de usar), fui visitar uma parentada em Minas, mais especificamente em Barbacena. Aniversário de criança, afilhada, pensei comigo, além de não beber vou aproveitar e estudar no sábado de manhã, antes do pessoal levantar.

Cheguei na sexta à noite, coisa de nove horas. Cervejinha rolando, mas resisti. Na verdade estava acabando, e como restava uma latinha, peguei uma e estava me forçando a ficar satisfeito.

Escuto aquela voz do diabo – na verdade era o Saperoco –, vindo lá de fora. Chega aqui cajibrina, vê se a cerveja já gelou. Um freezer, coisa de uma caixa de cerveja. Ai, ai.

- Tá quente, vamos dormir.

- Então senta aí, vamos esperar gelar.

- Não... esperar gelar vai demorar... ... ... ... pega logo do jeito que está e esperamos gelar bebendo ela meio quente ainda.

Não deu. Tentei, fui insistente, mas acabei tomando a cerveja. Por fim – antes fosse – acabou a cerveja. Mas nesse meio tempo chega o Pantaleão. Antes de acabar a cerveja já tinha rolado o convite pra uma saideira num buteco perto. Fui. Cinco saideiras e o buteco fecha. Sei que fui parar num tal de Tanamira, buteco misturado com paintball. Mas o melhor é que não fecha.

Cachacinha pra lá, cachacinha pra cá, mais algumas cervejas e Pantaleão diz que vai dormir no carro. Fico lá conversando com o dono, que nem imagino o nome agora. e chega irmão do Panta, o Alemão. Mal, cabisbaixo.

- Quê foi meu camarada, que cara é essa?

- Porra – pega o cigarro e joga no chão. Nunca mais fumo – pisa no cigarro.

- Boa, fumar é uma merda mesmo. Mas o que houve?

- Pô - pega o cigarro do chão. Agora já foi, depois eu paro de fumar... negócio aí duma amolescência... já aconteceu contigo?

- Não – mentindo.

- Porra, tô fudido então. Fiquei broxa – volta a jogar o cigarro no chão. É essa porra do cigarro, vou parar de fumar. Aqui - falando mais baixo – num fala pra ninguém não hein cara? – e continua – Valderrama, chega aqui! Cê não sabe o que me aconteceu – gritando – deu uma amolescência com aquela morena, mulé mais gostosa que eu arrumei. Metade do bar ouve.

Final das contas, lá pras 10 da manhã, Quiroga vem do carro perguntar o que ouve com o irmão, que ficou sabendo no estacionamento da tal amolescência.

****
Dia seguinte foi a festa. Deitei umas 10 e meia e meio-dia já levantava, ainda tonto. Almocei uma cerveja.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

direto pra casa

-Alô?

- Oi, amor. Tá chegando?

- Tô, tô indo direto pra casa...

- Ai que ótimo, estou com saud...

- Pra Casa da Manteiga, que reabriu ontem.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

sessão Caco Galhardo

Estava no bar ontem, e num desses impressos que ficam no Mica, encontrei uma revista chamada pix. Nela tem um quadrinho do Caco Galhardo que achei bem legal. Ia postar aqui mas não encontrei. Mas encontrei outros dele que valem a pena.
http://blogdogalhardo.zip.net/




















quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Cana Dance

Tava lendo a coleguinha do Ombudsman e ela postou lá uma foto do Cana Dance, buteco à beira-mar em Genipabu (ou Jenipabu, depende da placa que você ler por lá), que é servido pelo Netinho, um dos garçons mais sinceros que conheci.

- Cerveja tá quente, Netinho...

- É

- E aí, traz uma gelada agora, no capricho

- Tem não

- An?

- Tá tudo quente...

- Nem umazinha lá do fundo?

- Essas já são lá do fundo, só tem mais três e acaba...

- E as outras?

- Não, são as últimas, depois acabou.

Legal a sinceridade, mas aí fica difícil pedir uma cerveja sabendo que ela está quente, sem a menor esperança de que pode vir um pouquinho mais gelada. E pra piorar, que nem vai dar tempo de gelar.

PS: Depois Netinho apareceu com um Brahma Fresh, menos quente que a Skol que estava rolando. Mas era a única também...

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Jaguar, Fausto...

Falando em Jaguar e em Fausto Wolff, em uma entrevista ao Jornal do Comércio, Jaguar se refere ao Fausto Wolff

Jornal do Comércio – Tem uma história antológica dele (Fausto Wolff), né? uma participação numa corrida etílica, ou coisa parecida, em que você era um dos jurados.

JAGUAR – É, essa história eu não coloquei no meu livro (Confesso que Bebi). Foi uma maratona, que a Brahma inventou. Os participantes iam do Jardim de Alah até a praça General Osório, parando em determinados bares, em que havia fiscais anotando o que bebiam, ganhava quem tomasse mais chopes até o ponto de chegada. Eu apostei no Fausto Wolff e ele já me chega de porre. Fui reclamar e ele: “Calma, eu tinha que fazer o esquente”. Fausto tomou uns 40, 50, chopes, não lembro mais, e tirou em segundo lugar. O vencedor foi um crioulo, mas na hora de receber ele caiu no choro, disse que não merecia o prêmio, revelando que não era um, e sim dois negões. O cara contou que correu com outro cara muito parecido com ele. Então depois que saíam de um bar, trocavam de camisa, e foram revezando-se até o final da maratona.

Prato da semana























Uma coletânea de crônicas que têm
como personagens boa parte da arte e cultura cariocas. O roteiro que Jaguar propõe em suas narrativas começa na Gávea, passa pelo Leblon, por Ipanema, Copacabana, centro da cidade, chega a Vila Isabel e Maria da Graça, para depois esticar em Corrêas, Itaipava, Parati e até mesmo São Paulo, onde ele conseguiu encontrar na Freguesia do Ó um colecionador das melhores cervejas importadas e fez o cardápio do consulado carioca em São Paulo, o bar Pirajá. Esse é o trajeto percorrido em “Jaguar de Bar em Bar: confesso que bebi – Memórias de um amnésico alcoólico”, da editora Record.

Escrito e ilustrado por ninguém pelo bebedor profissional Jaguar, este livro não é um guia convencional de bares, mas foi produzido a partir de lembranças de fatos e de conversas jogadas fora em torno de rodelas de chope, copos e garrafas, que sempre balizaram a vida do chargista, desde anos tão verdes quanto licor de menta. E não deixa de ser um guia cultural de um Rio de Janeiro que insiste em manter a aura de boêmia, mesmo com todos os problemas socioeconômicos.

Como o bom bebedor não bebe só, o livro é também uma crônica que tem como personagens boa parte da arte e cultura cariocas. Pois Jaguar, envelhecido em barris de várias procedências, bebeu com gente como Madame Satã, Hugo Carvana, Tom Jobim, Paulo César Peréio, José Lewgoy, Paulo Casé, João Ubaldo, Nássara, João do Vale, Antonio Pedro, Carlinhos de Oliveira, Paulo Mendes Campos, Lúcio Rangel, Roniquito, Nelson Cavaquinho e Carlinhos Niemeyer. Todos eles concorrentes de peso.

Amnésico alcoólico de ótima memória e texto calibrado, Jaguar é a prova de que o fígado é antes de tudo um forte, felizmente o mais resistente de nossos órgãos. A saideira, e passa a régua.

1940* Fausto Wolff +2008

Em abril de 2006 ele escrevia, sobre seu derrame:

Outro dia quase bati as botas. Fechado o expediente, fiquei bebendo uísque enquanto olhava o mar. À medida que bebia, mais o mar se agitava, me agitando também. Tive uma idéia genial e voltei ao computador, mas - vejam só - não conseguia escrever as frases direito. Era sempre aprotaledo pelas pavrolas. Retornei à janela, fiquei vendo o mar e tendo idéias geniais. Bebi mais algumas doses de uísque e, quando minha mulher voltou do trabalho (é, meus filhos, alguém tem de prover), contei-lhe o que ocorrera. Ela: ''Você teve um princípio de enfarte ou um princípio de isquemia'', e, sob meus discretos protestos, arrastou-me ao hospital.

Colocaram-me num leito ao lado de muitos outros, separados por um lençol. Braços furados por mil agulhas, fui vítima de um clister e do resultado do clister, tudo isso em meio a dezenas de pessoas que fingiam ignorar minha indiscreta performance. Lá pelas nove da manhã fugi do hospital e fui caminhando por Ipanema. Acabei num boteco em frente ao estúdio do Millôr, na Gomes Carneiro. Tomei um conhaque, comi um sanduíche de pernil e fumei um cigarro. Bateu-me a vontade de escrever um poeminha. Pedi lápis e caneta, mas as mãos não obedeciam ao cérebro.

Só depois de desenhar mentalmente a letra é que conseguia reproduzi-la no papel e ainda assim muito mal. Desisti do poema e fui pedir a opinião do Millôr, que há 50 anos é uma espécie de irmão mais velho. Aconselhou-me a voltar ao hospital, o que fiz de táxi desta vez. As enfermeiras me receberam de braços abertos e nem me torturaram. Tivera mesmo uma isquemia. Três dias depois, feitos todos os exames, me mandaram embora e proibiram-me de fazer as três coisas de que mais gosto: ver Mannhattan connection, discutir com adolescentes e ler originais não solicitados.

Caíram nessa? Não acredito. É isso mesmo que vocês pensaram. Estou proibido de fumar, beber e procriar, pois, no meio de uma dessas atividades, o sangue pode derrapar na veia e sair da pista da minha vida, que pode não ser grande coisa mas é minha. Por isso nunca mais fumei, bebi e procriei ao mesmo tempo. Tudo tem seu tempo certo.

Do site/blog Mau Humor:
http://www.gardenal.org/mauhumor/
Que parece que virou:
http://www.oesquema.com.br/mauhumor/

No BUTECO DO EDU
, ele postou lá uma entrevista que ele e mais três pessoas fizeram com o Fausto Wolff, em junho de 2004. É bem grande, pensei até em postá-la aqui, mas acho mais justo o link. É grande, sem nenhuma censura e feita numa mesa de bar, mais especificamente no Bar Brasil, na Lapa.